• This project was contemplated as the twelfth Funarte Marc Ferrez Photography Prize 2012

    Fotografia Documental


    A fotografia documental permite o entendimento futuro de fatos marcantes. A fotografia documental abrange diferentes aspectos da natureza humana e de seu meio ambiente e é fundamental para o resgate histórico e cultural de nosso passado.

    Verdadeira capsula do tempo, as imagens firmadas outrora em diferentes tipos de papel e hoje transitando digitalmente em número vertiginoso – algo como um trilhão – pela rede mundial de computadores comprovam que a fotografia é uma das mais usadas ferramentas de representação da genialidade humana. Aliás, nunca se produziu tanta memória visual. Vivemos uma época admirável da existência humana, em que podemos confirma o poder imagético da fotografia sobre nossa civilização.

    Documental tem sido definido no senso estilístico do trabalho fotográfico. Seus fundamentos foram profundamente absorvidos pelo fotojornalismo, pelo estilo factual do  jornalismo e do jornalismo televisivo e, mais recentemente, pela antropologia visual. Alguns nomes substitutos já foram sugeridos para a fotografia documental, tais como: histórica, factual, realista, porém nenhum deles traz tão implicitamente em seu sentido, o desejo de criar uma interpretação subjetiva do mundo em que se vive.

    Se por um lado a fotografia foi e ainda é utilizada como uma janela para o passado, permitindo a visualização de detalhes que os documentos textuais não registram, por outro a compreensão da fotografia como forma de representação abriu inúmeras possibilidades de análise de fatos históricos associados à construção da imagem.

    A fotografia documental contemporânea preserva algumas características da estrutura clássica do documentarismo, consolidada nos anos 1930, a qual chamamos de modelo paradigmático dos anos 1930. Esse modelo começou a tomar forma ainda no século XIX, com os primeiros documentaristas, como o escocês John Thomson (1837-1921), o dinamarquês Jacob Riis (1849-1914), a americana Margaret Sanger (1879-1966) e o alemão Heinrich Zille (1858- 1929), que se dedicaram, de forma intensa, à fotografia de cunho social. Nos anos 1930, auge do modelo, os fotodocumentaristas procuravam se estabelecer sob o tripé verdade, objetividade e credibilidade, embora sabemos que tal intenção nunca pôde ser alcançada. Segundo o inglês Derrick Price (1997), “o arquetípico projeto documental estava preocupado em chamar a atenção de um público para sujeitos particulares, freqüentemente com uma visão de mudar a situação social ou política vigente.” (PRICE, 1997)

    Quando estruturada, a documentação fotográfica permite resgatar, interpretar e alicerçar a memória coletiva, pois a fotografia documental é um instrumento pedagógico de conscientização sobre a realidade em que vivemos.

    “Imagens são documentos para a história e também para a história da fotografia. É a fotografia um intrigante documento visual cujo conteúdo é a um só tempo revelador de informações e detonador de emoções.” 

    Boris Kossoy, fotógrafo.