• Este projeto foi contemplado como o XII Prêmio Funarte Marc Ferrez de Fotografia 2012

    Fotógrafos convidados - Isabel Abreu

    Meu nome é Isabel Abreu, paulistana de carteirinha, com breves interlúdios no Rio de Janeiro e em Montreal. Comecei a fotografar porque queria registrar o crescimento dos meus netos, já que o dos meus filhos não havia tido a chance.  Ter boas fotos de quaisquer momentos é algo precioso, e a gente sempre fotografa para o futuro. Como o amor é grande e poderoso, o amor pela fotografia se expandiu e me tirou da zona de conforto, me fez falar com estranhos, me fez aprender outras línguas e ganhar amigos pelo mundo. É pela fotografia que olho e penso o mundo. Muito, muito influenciada pelo trabalho de Josef Koudelka e Jacob Aue Sobol.

    Oiapoque

    Estive no Oiapoque em 2008.  Movida por uma curiosidade inata por lugares,  gentes e culturas, entrei em contato com a FAB para acompanhá-los – fotografando – numa Missão Social do HCAMP.

    Parti de Belém numa manhã ensolarada de setembro num Hércules que levava, além de médicos e pessoal das Forças Armadas, de pano de chão a automóvel, alimentos e equipamentos.  Viagem formidável.  Fiquei acomodada no mesmo hotel que os demais oficiais que trabalhariam na missão.

    As fotos que aqui apresento mostram menos o trabalho extraordinário daqueles homens e mulheres das três Forças e mais as impressões do meu ir e vir despretencioso de ônibus, de carro, a pé.

    Acordava muito cedo, com a cidade ainda mergulhada na bruma da floresta ao redor.  Apesar de estar numa cidade, a sensação de isolamento era forte e permanente.

    O próprio aeroporto surpreende:  para além da pista, uma pequena edificação pintada num rosa vivo com letras em azul abriga quem chega, sai ou espera; e os cães que querem sombra.  Uma escada aparece de relance, imagem que, para mim, guarda simplicidade e sofisticação.

    Tudo ali me interessava e a tudo estava permeável:  o calor aflitivo, os sabores, os odores, o relevo, os sotaques. Continuo achando extraordinário viajar mais de três mil quilômetros e compreender e me fazer compreender sem esforço.

    As pessoas me marcaram.  Elas pareciam trazer em seus rostos, em seus corpos as cicatrizes da cidade. Do abandono da cidade.  Uma cidade de fronteira internacional na qual o estrangeiro não é bem vindo.

    A impressão final é de ter apenas molhado os pés num lago muito, muito profundo, cercado de água e floresta.  Se me convidarem, mergulho.

     

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